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Então Pequeno caso sério...

por Pequeno caso sério, em 18.05.20

...o que tens a dizer sobre a reabertura das creches?- perguntam vocês com esse ar de quem quer ver o circo pegar fogo e tem bilhetes para a primeira fila.

 

 

E eu respondo:

A tão pouco tempo do final do ano letivo creio que uma medida destas só pode ter por base a urgência dos pais irem trabalhar e precisarem de deixar os garotos em algum lugar.

Compreendo a necessidade dos pais mas espero bem não estar enganada quanto às medidas de segurança (?) adotadas com o selo de quólidade da sôdona Graça:

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E mesmo que os colhões  colchões estejam à distância devida, não tenhamos ilusões sobre o que realmente irá acontecer depois dos pequenitos estarem dois meses sem se ver...

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...isto depois de berrarem baba e ranho (que convenientemente irão espalhar por tudo quanto é sítio) durante a primeira hora em que vão chegar à creche e encontar astronautas em vez das educadoras e auxiliares.

 

#'Tãonãovanosficarbem?

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Diário de uma quarentona em quarentena#3

por Pequeno caso sério, em 30.04.20

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Querido diário, 

quarenta e seis dias volvidos de isolamento social e de teletrabalho tenho aprendido muitas coisas sobre mim própria e sobre os outros.

Descobri , por exemplo, que sou mais tolerante à dor do que pensava.

E que o "voyerismo" ainda se pratica sobretudo se se tiver por perto uma mangueira para regar as plantas. Desde que esteja aberta.

Constatei isto tudo quando, numa tarde de sábado, tive a brilhante ideia de me por ao Sol na Varanda.

Durante a exposição solar achei que era boa ideia levantar as calças do fato de treino que vai parar ao lixo mal acabe esta merda toda até ao joelho para ganhar uma corzinha.

Percebi que a teoria de que descendemos dos animais se confirma mas não acertou no animal. Eu não descendo do macaco, mas sim do porco. Rosadinha, gorda e com mais pêlos nas pernas do que um bocado de toucinho.

Primeiro pensei em chamuscá-los com um isqueiro mas confesso que o cheiro me incomodou um bocadinho. Não que tivesse tentado. Contaram-me.

Depois, tive uma ideia melhor. Fui buscar uma pinça e decidi tirar os pêlos um por um. Fiquei na varanda umas boas duas horas e não tirei nem metade. Não apanhei bronze nenhum mas ganhei uma dor nas costas bestial . Ah, e também fiquei com as pernas todas malhadas pois onde consegui tirar a pelanga ia ficando uma mancha vermelha. A sensação é igual à de estar no deserto num dia de vento a levar com areia fininha pelas trombas. Mas sem os camelos.

Por falar em camelos, o vizinho da casa em frente à minha presenciou o início do espetáculo à borla. Quando dei conta decidi acabar-lhe com a alegria . Se me fui embora? Nã. Fiz pior. Virei-me de costas para ele. Quer espetáculo, pague. Não há guita? Não há palhaços. 

Quando já não aguentava com as costas e me consegui levantar , fui para dentro beber um galão e comer umas bolachinhas.

Sinceramente não percebo porque é que as pessoas passam a vida a reclamar e se entediam tanto por estarem fechadas em casa...

Há montes de coisas giras que podemos fazer para nos mantermos mentalmente sãos:

 

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Online ou Offline?

por Pequeno caso sério, em 20.04.20

Muito se tem dito sobre a maneira como a escola tem chegado aos miúdos... e como não podia deixar de ser, Pequeno caso sério também tem umas postas de pescada para mandar.

Álaver. 

Que os miúdos não devem ficar meses sem contacto com a escola já toda a gente percebeu. Se eles com um mês de férias regressam sabe Deus como, se ficassem meses sem pegar em nada havia de ser bonito.

É preciso sublinhar que antes que o (des)governo legislasse fosse o que fosse , os professores, esses calões que não fazem nenhum e passam a vida a fazer greves, arregaçaram as mangas e começaram a fazer o que podiam como sabiam para chegar aos miúdos.

Apesar da intenção ter sido a melhor, esse foi o primeiro erro. Porquê? Porque toda a gente sabe que quando se dá uma unha, a seguir o dedo já não chega, querem logo o braço. 

E desta vez não foi exceção. 

Agora, a maior parte das escolas deste país está a funcionar de forma remota para crianças numa faixa etária que vai dos 7 aos 18 anos e em contextos tão díspares que, contado, até custaria a acreditar. Aqui, tal como no Covides, desconfio muito dos número divulgados sobre quem tem acesso à rede.  

Se até consigo vislumbrar a exequibilidade disto com miúdos mais velhos, confesso que com os pequeninos me faz imensa confusão. 

Agora pergunto: 

Já perderam tempo a ler sobre o que alguns adolescentes têm feito com estas "aulas on line" ? Não? Deviam. 

Há de tudo. E quando digo, tudo, é mesmo tudo. Percam um bocadinho do vosso tempo e leiam sobre o assunto.

Se me surpreendeu?

Sinceramente, não. 

Os alunos continuam a ter exatamente o mesmo tipo de comportamento que tinham nas aulas, só que agora, também eles, tiveram de se reinventar. 

 

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Li por aí uma coisa que resume exatamente aquilo que penso sobre este assunto:  

..."A tormenta em que muitas escolas se encontram é o resultado de um grande afastamento não da tecnologia mas da formação de modelos pedagógicos que naturalmente incluem tecnologia e que naturalmente levam o seu tempo e fazem-se com planeamento de pontes antes de correr para precipício"...

 

O curioso é que nunca ninguém se tenha lembrado de perguntar aos professores se, pelo menos, "sabiam nadar" . Ou se as "bóias" que tinham em casa (assumindo que as tinham) estavam em condições de "salvar" alguém. 

 

É que a mim não me restam grandes dúvidas que no final disto tudo serão eles, para não variar, os "responsáveis" pelos que "derem à costa a boiar". Vai uma aposta?

 

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Diário de uma quarentona em quarentena #2

por Pequeno caso sério, em 03.04.20

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Querido diário,

aos vinte dias de isolamento social percebo que as portas da minha casa estão cada vez mais estreitas e que , sim senhor, é possível comunicar através de monossílabos ou grunhidos.

A paciência e a tolerância estão a ser postas à prova assim como a resiliência com que espero pela minha vez de ir à casa de banho. Somos três e a casa de banho é só uma. Só espero que os meus intestinos continuem a colaborar.

Daqui a poucos dias o meu pai fará  anos e pela primeira vez não vou poder estar com ele. Numa altura que o isolamento social é imperativo, penso sempre se estarei mesmo a ser boa filha ao cumpri-lo como me mandam...

Tenho poupado imenso com esta coisa da quarentena: não gasto base, nem perfume, nem perco tempo a escolher o que vestir. A indumentária é sempre a mesma. Só variam as cores. E tudo roupinha que não precisa de ferro. Uma maravilha.

Há várias televisões cá em casa mas a mais disputada é a da sala. Muito filme com porradaria e tiros se tem visto nesta casa! Tudo coisas em consonância com a serenidade que se quer nesta época. Estou por tudo. Quando não gosto, ponho os auscultadores e vejo o que quero no telemóvel. Não vale a pena estar a criar mais atritos certo? Certo. Mas não prometo que dure muito! De qualquer forma, o que conta é o esforço, não é ?

Amanhã, em circunstâncias normais, seria dia de ir à esteticista.

Tenho pensado muito nela...

Nada como o isolamento para nos dar a visão nítida das pessoas que fazem realmente falta nas nossas vidas:

 

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Quiz ...e os meus 5 minutos de fama.

por Pequeno caso sério, em 01.04.20

Nos tempos que correm é preciso inventar novas formas de nos entretermos sem sair de casa e sem ouvir falar do Covides, esse cabrão. 

Ora os senhores do Sapo resolveram lançar um desafio muito engraçado que dá pelo nome de Quiz.

Consiste em respondermos de forma diária a uma pergunta sobre vários assuntos. 

Não se sabe a hora da publicação da pergunta e também não se sabe de antemão qual o grau de dificuldade da mesma.

Então como é que nos safamos?

Temos de estar atentos pois a rapidez vale pontos.

E o que é que ganhamos no final?

Nada...a não ser conhecimento quando andamos à procura das respostas, que ninguém sabe tudo é bom relembrar. 

Quanto mais gente participar, mais giro se torna e também não me parece que tenham assim taaaaaantas atividades para fazer durante o dia, certo? Certo. Então bora lá participar.

 

Como não creio que a façanha de anteontem se volte a repetir, deixo aqui a prova de que, num dia podemos estar no fim da tabela e no dia seguinte no topo .

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Digam lá que o meu avatar não fica mesmo bem ali no topo?

Também acho.

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Onde estavam as palmas?

por Pequeno caso sério, em 16.03.20

Não fui à janela bater palmas neste sábado à noite. Não porque ache que os profissionais do SNS não mereçam mas porque não vou em carneiradas. 

Talvez não fosse mau relembrar a todos quantos bateram palmas à janela para os vizinhos verem e ficar bonito no vídeo que logo a seguir publicaram que há bem pouco tempo, médicos e enfermeiros fizeram greve por exigerem melhores condições de trabalho num SNS que é de TODOS  

ONDE ESTAVAM AS PALMAS NESSA ALTURA?

Exato. 

Talvez também não fosse mau relembrar a quantidade de enfermeiros que tiveram de emigrar para arranjar trabalho.

ONDE ESTAVAM AS PALMAS NESSA ALTURA?

Exato. 

 

Os profissionais  de saúde não querem palmas à janela.

Querem RESPEITO pelas instruções que repitadamente transmitem : FICAR EM CASA! 

Querem não ser agredidos no seu local de trabalho. 

Querem não sair de um turno, exaustos, passar de carro a caminho de casa e constatar magotes de gente em filas de supermercados.

Querem ver as esplanadas vazias.

Querem ver as cidades despidas de gente que continua a agir como se isto fosse só uma gripe.

Querem que os nossos governantes tenham os tomates no sítio certo e tomem medidas sérias.

Querem que os AJUDEMOS a controlar isto.

Façam a vossa parte e deixem-se de carneiradas. 

 

 

 

 

Daqui, do silêncio do meu sofá, presto a minha singela homenagem a todos quantos diariamente arriscam a SUA vida, para que possamos continuar com a nossa. Bem hajam. 

 

Aos restantes, lembrem-se que 

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