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Culpa nossa? Minha não.

por Pequeno caso sério, em 18.01.21

Hoje o post não é no registo de maluqueira habitual. E porquê? Porque o que se passa é demasiado sério. Até para mim.

 

Desde março, repito, março, que só saio de casa para comprar comida, ir à farmácia/médico e ir trabalhar.

Não vou comer fora (mesmo quando era permitido).

Não janto com os meus pais há meses e as poucas visitas que lhes faço são de máscara, sem afetos e distantes uns dos outros.

O Natal e Ano Novo foi feito a 3, longe de tudo e de todos.

A única vez que "rompi " o confinamento foi em julho para ir à praia com 4 amigas com quem não estava fisicamente há meses porque fiz anos em maio e achámos que a praia seria um lugar seguro. E foi. Andámos muito a pé num dia particularmente quente, até sermos só nós e os nossos chapéus de Sol. Cada uma levou a sua comida. Era isto ou nada. Preferi isto.

 

A minha filha fez 18 anos em pleno 1°confinamento e não teve direito a comemorar como devia a sua maioridade .

Não teve o tão desejado baile de finalistas cujo vestido continua pendurado atrás da porta do quarto na esperança sabe-se lá de quê. 

A viagem de finalistas, planeada durante meses, também não aconteceu...nem sei se virá a acontecer.

Durante o verão foi 3/4 vezes à praia com um grupo restrito de amigos. 

Está há meses a ter aulas on line e ainda não sabe o que é o espírito académico. 

 

 

É por tudo isto que fico verdadeiramente fodida com as imagens que vi deste fim de semana.

Gente aos magotes em "passeios higiénicos"  nos paredões deste país...enquanto morriam pessoas dentro de ambulâncias na porta do hospital à espera de serem atendidas...enquanto médicos e enfermeiros, exaustos, tentam acudir quem podem e começam a ter de fazer...escolhas.

 

Caralho.

Caralho para quem só pensa no seu umbigo. 

 

Ah e tal mas pode-se sair para desanuviar. Também faz falta.

 

O  ca-ra-lho.

Querem desanuviar? Leiam um livro. Vejam uma série. Telefonem àquele amigo que já não vêem há muito. Agora têm tempo para isso tudo.

 

E não culpem só o governo. O governo só disse que podem, não disse que devem. 

Se tomaram muitas decisões erradas? Claro que sim. E a mais errada de todas foi esta espécie de confinamento baseado no bom senso das pessoas. O resultado está à vista: Portugal foi ontem o país com mais casos por milhão de habitantes do mundo. Repito, do mundo. Problema? Portugal não tem um SNS à altura deste embate. E aí sim, o único culpado é o governo que, apesar de todas as evidências, não soube apetrechar o SNS antes da vaga chegar.

Quero lá saber se é a segunda ou a terceira porque eu, nunca saí da primeira.

E as escolas, autênticos Covidários, que se mantêm abertas? Outro tiro no pé. Dos grandes. Daqueles que vão fazer disparar as linhas dos gráficos nos próximos dias. Gostava de estar enganada. Mas não estou. 

 

Para quem acredita, é rezar.

É rezar para não nos calhar a nós ou aos nossos precisar do SNS por estes dias. Li ontem as palavras de um médico que me impressionaram :

"Quem por estes dias precisar de recorrer ao hospital com uma "simples" fratura do colo do fémur, o mais provável é que não volte a andar ".

 

E foi a isto que chegámos. Quem sempre cumpriu e quem se esteve e está completamente a cagar.

Culpa nossa? Minha não. 

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18 comentários

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De concha a 18.01.2021 às 06:49

Desde que se use máscara, se cumpra o distanciamento, são possíveis os passeios higiénicos, os restaurantes, os teatros, a praia. São locais seguros se cumprirem as regras.
O risco verdadeiro está nos que circulam sem máscara ou fazem atividades em grupo em que estão juntos de copo ou cigarro na mão: os bares, as praias. E, claro, os que são obrigados a apanhar transportes públicos, que desde o inicio se sabe serem o principal fator de risco.
As escolas, espero que seja hoje que se fecham, porque têm milhares com comportamentos perigosos.
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De Pequeno caso sério a 18.01.2021 às 22:14

E pronto, como se vê as escolas continuam abertas. Verdadeiros covidários.

O risco verdadeiro está na essência do tuga que, por cada medida imposta, procura qual a melhor maneira de a boicotar.


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De concha a 19.01.2021 às 07:27

Não as fecham com argumentos da treta. Só na minha escola há 7 turmas em casa. Algumas já pela segunda e terceira vez. Esta é uma desigualdade que me preocupa muito mais, pois tanto os que têm a sorte de nunca ir para casa como os que la passam 2 meses em isolamento vão ter o mesmo exame nacional.
E a palhaçada de que estao mais seguros na escola, porque sem horários andam juntos sem máscara... esses mesmos tiram a máscara fora e dentro da escola, q nao há olhos para tudo, E pior, colocam em perigo colegas cumpridores e preocupados, porque os há... alguns dos meus miúdos estão com medo e são bastante conscientes. Em 4 turmas de secundário, tenho apenas uma aluna que quer aulas presenciais, e é porque só vê o namorado na escola.
Não acredito que isto dê resultado. Estou furibunda e desolada com este desrespeito pela vida humana, pela classe médica em nome do futuro dis estudantes... como se fosse relevante menos um capítulo no programa... com a falta de profs q há, até parece que não é normal. Não me conformo.
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De Pequeno caso sério a 19.01.2021 às 08:04

Se eu lhe dissesse TUDO o que penso sobre o facto das escolas continuarem abertas...
Sei de um caso em que numa turma de 1° ciclo com 20 alunos, a professora está na escola apenas com nove. Os restantes têm ido para casa a conta-gotas. É só fazer as contas ao número de horas que esta desgraçada tem passado DO SEU telefone e DO SEU computador a ligar aos pais e a mandar mails, inclusivamente ao fim de semana e muitas vezes depois de cumpridas as suas penosas horas de atividade letiva na escola.

Uma VERGONHA que os paizinhos não se mobilizem para acabar com isto. Infelizmente só eles têm esse poder.

Hoje mais que nunca, o desrespeito pelos professores e auxiliares é uma coisa que me enoja verdadeiramente. Mais à frente, a sociedade pagará bem caro este desrespeito no dia em que não houver ninguém que queira ensinar.
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De amorlíquido a 18.01.2021 às 10:49

Esta leitura pareceu um diálogo entre mim e os meus pensamentos. É tudo verdade, infelizmente. Não só é verdade como é revoltante para quem faz a sua parte e, mesmo assim, os números continuam a disparar a cada dia.
Quem no ínicio tinha nome pela novidade a que o país assistia dentro das suas fronteiras, hoje são apenas isso...algarismos. Que sobem e continurão a subir, sempre sem os nomes e os rostos que os representam.
É muito triste ver o mundo colapsar e perceber que somos um dos países que pior está neste momento. À pergunta "onde errámos?", certamente seriam infindáveis as razões da resposta dada.
Acho que a solução não passa por apontar o dedo a ninguém, mas por TODOS ganharmos consciência do problema que temos em mãos e de como ele não se resolverá sem sacrifícios COLETIVOS. Continuam a existir negacionistas que acham tudo isto uma teoria da conspiração envolta numa mentira à qual se julgam imunes. Enquanto isso, o nariz e a boca continuam a descoberto.
Uma das coisas que o governo devia compreender é que, desafortunadamente, o povo português, de um modo geral, é avesso a cumprir tudo o que seja recomendação. Há algo concreto que me proíba de sair de casa? Não? Fixe, então vou fazê-lo. Nada nem ninguém me impede, por isso...
E estes pensamentos multiplicam-se e surgem nas multidões que continuamos a ver na rua, uns sem distanciamento, outros sem máscara. Porque não está expressamente proibido sair de casa. Existe apenas um dever cívico de o fazer e esse dever deixa margem para variadas interpretações em que cada um faz o que quer, como quer, quando quer. Por egoísmo, por ignorância, por indiferença, por uma chico-espertice que mais ninguém entende.
Até um dia lhes calhar a eles e receberem o ventilador de um dos nossos.

Desculpe o desabafo e obrigada pela partilha!
Boa semana
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De Pequeno caso sério a 18.01.2021 às 22:16

Eu é que agradeço a paciência para me ler e o facto de comentar. Obrigada. Mesmo. E ainda há quem ache que os blogs não são sítios para se ter boas conversas...
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De Parola a 18.01.2021 às 11:22

Estou contigo na revolta. É alucinante e incompreensível.
Eu estou como tu, só saio para trabalhar e com todos os cuidados e mais algum.
Tive um bebé em pleno pico da 1ª vaga que ainda não conhece a família e que está longe dos afetos familiares tão importantes nestes primeiros tempos.
Há meses que não estou com a minha irmã, matando saudades dela e dos meus sobrinhos através do tlm.
O Natal não foi partilhado. A passagem de ano também não.
A minha outra filha faz anos para a semana e dizia-me no outro dia que não queria fazer anos, que o aniversário dela está cancelado, que se não pode convidar a Carlota e os primos, que não quer festa, está cancelado.... FAZ 5 ANOS!
A essa gente que não acredita na seriedade do vírus, que continua a negar a evidência, que pense então que não é só esta doença em causa, são os centenas de diagnósticos que estão por fazer, são as centenas de urgências que ficam a aguardar. Acredito que li o mesmo post do médico a dizer que as vias verde dos AVC e das coronárias eram só uma sugestão porque era impossível cumprir prazos. e esses prazos determinam o viver ou morrer, sequelas ou sem sequelas.
Eu vivo em ansiedade. Tenho um medo acrescido de ter um acidente na estrada; a minha filha dá um salto e eu dou-lhe um berro "olha que cais, e partes a cabeça e não podes ir ao hospital!", parece que nem a deixo ser criança.
E porquê???
Porque se acreditou no bom senso das pessoas...bom senso...hahaha, deixem-me rir....
Soube de uma história que a polícia, após uma denúncia de um positivo às compras num supermercado, identificou NOVE pessoas positivas no super.
E os comícios?
E as eleições?
...
Que vergonha na humanidade....
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De Pequeno caso sério a 18.01.2021 às 22:19

Também eu tive uma sobrinha em abril em quem nunca peguei ao colo 💔

É assustador o mundo que estamos a deixar aos nossos filhos 😔
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De Luísa de Sousa a 18.01.2021 às 12:14

Faço tuas as minhas palavras
Aqui estamos a fazer tantos sacrifícios e tal como a tua filha, a minha esta a estudar fora da região, sem poder vir a casa e tendo aulas online ... eu não abraço nem beijo os meus pais desde Março 2020 e quando vejo estas cenas (aqui na Madeira é o mesmo) fico muito irritada!

Beijinhos
Feliz Dia
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De Pequeno caso sério a 18.01.2021 às 22:20

Andamos todos muito zangados, assustados e frustrados.
Tenho muito medo da repercussão que tudo isto terá na nossa saúde mental.
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De Pandora a 18.01.2021 às 16:19

Ao contrário do primeiro confinamento, não estou em teletrabalho. No fim de semana saí de casa apenas e só para ir fazer o curativo ao dedo. Assim como hoje vou ter de ir, depois de sair do trabalho. Atrás do prédio onde moro há um jardim relvado. O meu terraço tem vista priveligiada para esse jardim. Durante a manhã até meio da tarde estive pela cozinha e terraço. Vi o mesmo cão a passear 6 vezes. Vi vários vizinhos a irem ao jardim, encontrarem-se uns com os outros enquanto as respetivas crianças brincavam e jogavam à bola. Não me recordo de nos fins de semana anteriores ter havido tanta afluência ao jardim.
Nem é preciso comentar, os factos gritam por si!
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De Pequeno caso sério a 18.01.2021 às 22:24

E aqueles badixas que nunca mexeram o cu na vida e que justamente agora decidiram fingir que praticam desporto?
E aquela malta que sai à rua com uma trela vazia e quando inquirida pelo paradeiro do animal diz que fugiu e que anda a ver se o acha?
E os carrinhos de bebé com Nenucos?

Vale TUDO.

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De Rute Justino a 18.01.2021 às 18:16

Por o erro de uns pagam os outros
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De Pequeno caso sério a 18.01.2021 às 22:26

O pior é que TODOS dizem que cumprem. Assim sendo andamos a ter alucinações
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De Magui Ferreira a 18.01.2021 às 19:21

Depois de uma cirurgia à coluna, preciso de caminhar e faço-o todos os dias à hora de almoço, porque mesmo vivendo num sítio pequeno, encontro sempre alguém.
Ainda ontem, vi cerca de uma dúzia de pessoas, no típico passeio de domingo, que vêm ver o mar.
Vi cerca de 15 jovens, juntos, num campo de jogos.
Mas, toda a gente diz que cumpre.
Não sei francamente, o que pensar.
As pessoas infectam-se no trabalho, nos transportes públicos, através dos filhos em idade escolar ou estam a cagar para a situação porque ainda não lhes chegou ao pêlo?
Cada vez sinto mais medo que possamos arrastar isto durante anos a fio.

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De Pequeno caso sério a 18.01.2021 às 22:29

Ui...cirurgia à coluna...então tens mesmo de te mexer. Tem cuidado e afasta-te das 'ssoas todas.
Tosse.
Espirra.
Peida-te.
Vale tudo para não deixares que se cheguem a ti.

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De concha a 19.01.2021 às 07:31

Eu tenho uma declaração do meu oncologista em como tenho caminhar uma hora por dia (7.000 passos, até tenho um conta-passos no telemóvel) levo-o sempre comigo quando caminho.
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De Pequeno caso sério a 19.01.2021 às 08:06

Cumpra o que o seu médico lhe disse e leve sempre a declaração consigo.
Boas caminhadas.

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