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Nós por cá #4

por Pequeno caso sério, em 23.08.17

O regresso às aulas está por aí a rebentar e por isso achei pertinente partilhar uma cena que testemunhei este fim de semana. 

 

Na mesa contígua à nossa, sentou - se um casal com um miúdo que devia ter uns 4/5 anos. O puto era meio ruivo ,o que foi logo coisa para chamar a minha atenção. Jogava afincadamente no telemóvel e os pais lá perguntaram o que ele queria comer. O jovem, começou por avisar os pais que não ia comer. A mãe lá pediu uma coisa que desse para os dois, arranjou - lhe o prato e pediu - lhe para guardar o telemóvel e comer. O jovem voltou a repetir que não ia comer.

A mãe,  sem se exaltar e sem levantar a voz, disse - lhe: 

-"Se não comes,  não te deixo jogar."

O jovem, cagou na mãe,  e voltou a repetir:

-"Não como! Já disse que não como!"

 

E não comeu! 

 

Por esta altura , eu , o meu marido e a minha filha estávamos com os nervos em franja. Eu principalmente. 

Resolvi seguir o exemplo do jovem e caguei nele e nos pais e disfrutei do resto do meu almoço em família e sem stress.

 

Mas, a verdade, é que o meu instinto de cusca queria ver como é que aquela cena deplorável acabaria.

'Tão não é que quando me inclinei para conseguir ver bem , o prato do puto continuava intacto?! 

E o puto? Que estava ele a fazer ? Exato! A jogar no telemóvel !

 

Prestes a ter ali mesmo uma coisa eis que o pai, indivíduo alto e caparrudo, finalmente decide intervir. Pensei, toda contente, "é agora que o puto vai comer um estaladão e vai mamar tudo o que está no prato!" 

Foi aqui.

Foi aqui que não me caíram os tomates porque não os tenho.

Quando eu pensava que o pai ia tirar o telemóvel ao puto, obrigá - lo a comer ou chamá  - lo à atenção sobre aquele comportamento de recusa e prepotência, eis que da boca do homem sai a seguinte frase: 

-" Queres uma moussezinha de chocolate, filho?"

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Agora  multipliquem esta cena por muitos milhares e expliquem  - me , como é que se pode exigir o que quer que seja aos professores à escola. Pois.

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21 comentários

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De pipinhaeheh a 23.08.2017 às 09:52

Quem merecia  o chapadão não era o puto, eram os pais.  A semana passada também vi uma cena do género. Um casal com um filho. A almoçar, ele agarrado à psp eles ao telemóvel. Acho que durante a refeição não os vi a trocar meia dúzia de palavras. Uma tristeza.
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De Pequeno caso sério a 23.08.2017 às 10:15

Sim, isso também é grave mas o que aqui partilhei é mais ...profundo. 
Irrita - me (e estou a ser boazinha ) que os pais apontem consecutivamente o dedo à escola (mais concretamente aos professores) quando as coisas falham. Esquecem - se sempre de que o básico vem de casa e quando o básico falha alguém  (a escola) tem de fazer esse trabalho.
Quando um puto tão pequeno desrespeita os pais daquela maneira e não é punido por isso,algo está muito mal. 
Até aposto que aqueles pais quando são chamados à escola devem sempre achar que a culpa é dos outros. Parece que estou a ver:


educadora- pais, chamei - os aqui porque aconteceu uma coisa muito grave...o Joãozinho arrancou um olho a um colega!
pais- o nosso filho nunca faria isso! Provavelmente o olho é que já não estava muito bom...
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De pipinhaeheh a 23.08.2017 às 19:39

Precisamente. A escola serve para instruir, para educar estão lá os pais. Infelizmente se vê cada vez mais pais a demitirem-se dessa responsabilidade.
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De Pequeno caso sério a 23.08.2017 às 21:21

Infelizmente é cada vez mais frequente. Creio que o ideal para esses pais seria largar os filhos na escola às 8 da manhã e ir buscá - los às 21:00 já jantados e com banho tomado . Isso é que era !
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De Anita a 23.08.2017 às 12:42


Estou parva... ou esta gente anda a criar gente que futuramente será parva...
Enfim! até me enjoa... Image
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De Pequeno caso sério a 23.08.2017 às 21:02

Acredita que tudo isto se pagará muito caro.
Questiono se um puto com 4/5 anos tem este "ascendente" sobre os pais, nem quero imaginar o que fará aos 15/16.
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De Maria João Machado a 23.08.2017 às 13:19

Mas são esses pais que exigem tudo das escolas e professores, já que eles não souberem educar as criaturas. Calculo que tenhas ficado cheia de nerves. Eu ficaria e era capaz de fazer um comentário qualquer (só para a minha mesa, mas não garantia que fosse em som murmurado).
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De Pequeno caso sério a 23.08.2017 às 21:06

Fiquei exaurida dos nerves. Fizemos vários comentários entre nós mas acho que os pais não deram conta da nossa indignação. Estavam focados em agradar ao "menino".
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De naomedeemouvidos a 23.08.2017 às 13:26

Por estas e por outras é que eu sou uma mãe ditadora; quando nada resulta ( e às vezes, de facto, nada parece resultar, acontece a todos!), digo "é assim porque eu é que mando". Acaba-se logo a discussão ali. O meu filho fica a "odiar-me" durante uns minutos, mas eu perdoo-lhe, e perdoo-me, por todos os beijos e abraços que me dá depois, mas, sobretudo, porque creio que estou realmente a "educá-lo" e não apenas a "aturá-lo". 
Lembro-me que, aqui há tempos, um cronista do expresso (por sinal, dos mais "odiados") escrevia: não há crianças hiperactivas, há crianças malcriadas. Os pais estão cada vez mais reféns das "teorias educativas" que, muitas vezes, mais não são do que um um conjunto de disparates. A questão é que "educar", de facto, dá muito trabalho!
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De Pequeno caso sério a 23.08.2017 às 21:16

Em primeiro lugar quero dizer - te que pareço do mesmo mal. Sou MÃE  com tudo o que isso acarreta e quando acho que os limites do razoável foram atingidos, a coisa dá - se. Nem sempre a minha filha entende mas acata . Felizmente não é frequente o caldo entornar mas já aconteceu. A adulta sou eu e portanto é a mim que cabe levar o barco a bom porto .
Se isto dá trabalho? Muito. E é isso que muitos pais de hoje não querem ter e por isso escudam  - se com as teorias da moda.




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De naomedeemouvidos a 23.08.2017 às 21:20

O meu filho ainda não é adolescente. Fui mãe fora de prazoImage. Imagino que a tarefa que me espera tenha tendência a piorar com a idadeImage
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De Pequeno caso sério a 23.08.2017 às 21:23

Pelo que me descreves , não tens que te preocupar. Vais no bom caminho.
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De naomedeemouvidos a 24.08.2017 às 09:47

Dito pela mãe de uma adolescente, fico mais descansadaImage.
bj
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De Maria Araújo a 23.08.2017 às 13:41

Inacreditável!
E são estes os pais que mais refilam na escola, os filhos são os santinhos, a culpa é do(a) professor(a), e tudo o mais que é conhecido.
Se a sociedade é o que se vê, como serão estas crianças, em adultos?
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De Pequeno caso sério a 23.08.2017 às 21:18

Não sei vizinha, não sei...mas não auguro nada de bom.
Serão com certeza adultos frustrados e incapazes de lidar com as adversidades da vida. 
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De Magui Ferreira a 23.08.2017 às 23:48

Tenho duas filhas maiores de idade. Eduquei-as o melhor que pude e soube, com certeza que fui muitas vezes permissiva, outras tantas inflexível.
Com os defeitos que têm, são raparigas equilibradas. Se o mérito é meu e do pai ou se é fruto do feitio delas, não sei.
O que me parece é que existe muita teoria psicológica que pouco favorece os pais no que respeita à educação dos filhos.
Se as crianças são diagnosticadas com hiperactividade ou déficit de atenção, começam desde cedo a tomar medicação para tratar esses problemas.
No meu tempo existiam os cabeças no ar, os irrequietos que eram tratados à chinelada e a puxão de orelhas.
Mudam-se os tempos, muda-se a abordagem sobre os assuntos, nem sempre para melhor.
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De Pequeno caso sério a 24.08.2017 às 10:01

Na educação de um filho não há receitas. Há bom senso, empenho e tempo.
Enquanto seres humanos falhamos, logo, enquanto pais não podia ser diferente.
O problema é que as pessoas hoje em dia empenham - se pouco e educar um filho dá muito trabalho. É muito mais fácil dizer que sim a tudo e não ter chatices. E  é por isso que as dificuldades aparecem no sítio onde oa miúdos passam mais tempo: na escola.
Muitas vezes o "alvo" que a criança quer atingir não é o professor mas esse é  o ADULTO que ela tem por perto e por isso é nele que descarrega todas as suas frustrações.  O grande problema é que o professor tem na sala mais 20 crianças na mesma situação. 
E é assim que se inicia o ciclo da "rotulagem " de uma criança que , em 99,9% das vezes seria evitada se na hora certa tivesse sido educada/amada.
Talvez te choque com o que vou dizer a seguir mas nem todas as pessoas estão preparadas para ser pais. E é aí está a génese de todo o problema. 
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De Maria Araújo a 24.08.2017 às 16:02




Se o post está bom, este comentário está perfeito.






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De Pequeno caso sério a 24.08.2017 às 23:17

Obrigada vizinha. É apenas a minha modesta opinião. 
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De Happy a 29.08.2017 às 12:55

Tenho falado disso no meu blog. Não entendo como é que há cada vez mais pais a demitirem-se dos seus papéis de educadores.
Não pensam que estão a criar pequenos monstros, prepotentes e com um enorme umbigo...
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De Pequeno caso sério a 30.08.2017 às 09:42

Não,  não pensam. 
A única coisa que importa é que não chateiem muito e à conta disso permite - se TUDO.
O pior é que vamos todos pagar caro essa negligência. Ai se vamos!
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