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Nervoso miudinho

por Pequeno caso sério, em 01.07.16

Saber esperar é uma virtude que não possuo.

Tenho muita dificuldade em gerir os tempos de espera (sejam eles quais forem) e pouquíssima tolerância para quem, deliberadamente, se atrasa. Se está marcado para as nove, então às oito e cinquenta já lá estou. Se chegarem às nove e dez é bem provável que já me apanhem de trombas.

Mas do que quero falar hoje é daquela sensação que se gera dentro de nós enquanto esperamos: o chamado nervoso miudinho.

Ora esta espécie de nerves (o nervoso miudinho, entenda-se) é coisa que ataca devagarinho e , sem darmos conta, se apodera de nós.

É uma unha que vai à boca; é uma perna cruzada que exibe um pé que abana 347 vezes por minuto; é um olhar para o telefone pela 10ª vez para verificar se não ficou sem bateria; é percorrer uma meia maratona no espaço de uma casa; é olharmos para o roupeiro e não ter nada de jeito para vestir; é o cabrão do cabelo que hoje, logo hoje, não está como queremos; é o bufar 33 vezes por minuto por merdas que não valem mesmo a pena; é o buzinar ao tipo que vai à nossa frente porque vai a pisar ovos (vai nada!); é o bater descompassado do coração porque a merda do jogo nunca mais acaba por milhentas coisas que não estão na nossa mão resolver mas que queremos que se resolvam como imaginámos.

 

Quanto mais longa é a espera mais o nervoso miudinho ataca. E não quero dizer com isto que só se fica assim quando se espera por coisas más. Antes pelo contrário. Dou um exemplo:

Ter alguém que nos é (muito) querido , longe , durante longas temporadas e que ,de repente , temos a hipótese de voltar a ver é coisa para levar o nervoso miudinho a toda uma outra dimensão. Conseguir conter um abraço que se tem guardado durante muito tempo não é tarefa fácil. Dizer tudo que tem para se dizer (nunca se diz…) e perguntar tudo o que se tem para perguntar é coisa para levar um tempo que a vida essa cabra que brinca deliberadamente com os timings não permite que se tenha.

É nessas alturas que entra o olhar. Esse sacana que não deixa escapar nada mas que consegue transmitir TUDO o que se precisa quer.

 

E é aqui minhas caras, é aqui ,(quando finalmente estamos em paz) que o nervoso miudinho desaparece e vai à sua vidinha.

E o que é que acontece a seguir? Ficamos de beicinho porque afinal até gostámos daquela sensação que já acabou.

E é isto. Ser gaja resume-se a isto. Ninguém entende. Nem nós.

 

 

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14 comentários

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De Chic'Ana a 01.07.2016 às 08:38

Como eu me revejo neste texto!! =)
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De Pequeno caso sério a 01.07.2016 às 13:18

Ainda bem...
É sempre bom perceber que há mais como eu Image
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De Pequeno caso sério a 01.07.2016 às 13:19

Por acaso quando estava a escrever isto lembrei-me do nome do teu blog mas não tive como dar volta a este título . Tinha de ser este.
Aqui és sempre bem vinda ! Image
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De nervosomiudinho.blogs.sapo.pt a 01.07.2016 às 15:19

Ehehe, é um estado comum, gostei muito do teu texto! Obrigada ;)
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De Catarina a 01.07.2016 às 10:33

Eu, até quando o autocarro está atrasado 1 minutos, fico com esse nervoso miúdinho. Que praga..!
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De Pequeno caso sério a 01.07.2016 às 13:20

Sim, de facto é mesmo daquelas coisas que moem o juízo a uma 'ssoa. 
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De Psicogata a 01.07.2016 às 11:31

Tão bom!
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De Pequeno caso sério a 01.07.2016 às 13:22

Obrigada ! 
Como podes constatar, de vez em quando, muito de vez em quando, lá escrevo alguma coisa de jeito .
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De Psicogata a 01.07.2016 às 14:04

Não sejas modesta ;)
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De Magui Ferreira a 01.07.2016 às 18:43

Por acaso já nasci com essa patologia do nervoso miudinho, tenho dias em que tudo me enerva, por isso é que tento dar a volta com o humor, senão estava (ainda mais) o caldo entornado. Já decidi tenho que doar o corpo à ciência. :)))
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De Pequeno caso sério a 01.07.2016 às 18:45

O humor é sempre a melhor arma para dar a volta seja ao que for .
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De Maria Araújo a 03.07.2016 às 16:58


Muito bom , é o que todas nós sentimos.
E eu até sou muito paciente, mas tenho o mesmo nervoso miudinho sobretudo quando espero alguém que não, ou nunca, chega a horas.Depois, passa tudo.

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