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Cagaço revisitado

por Pequeno caso sério, em 09.09.16

Disse que tinha apanhado um cagaço .

Não expliquei logo porque há coisas que levam tempo a digerir. Que mexem connosco e revisitam medos que queremos fechados a sete chaves.Mas os cabrões estão lá. À espera. Na primeira oportunidade atacam.

Há uns anos um incêndio no predio onde vivia fez com que conhecesse de mim  forças e fragilidades. 

Houve , meses mais tarde , e sem que nada fizesse prever , sequelas físicas que se manifestaram do "nada". Resolvi - as. 

Achava eu.

 

Por estes dias , mais uma vez , o fogo passou perto de mim. Fez disparar todos os sinais de alarme guardados e "esquecidos".

Tornei - me  irracional e deixei que o pavor tomasse conta de mim. 

Instintivamente  larguei tudo e levei comigo apenas o registo de quem sou , a minha filha e o meu amor com pêlos (não falo do marido.Falo do Mr. B).

Fugi.

Fugi e fiquei a assistir de longe na esperança que o vento não mudasse de direção e permitisse  que o fogo levasse aquilo que mais prezo do que tenho : o meu património emocional guardado em álbuns de fotografias e discos externos .

Momentos únicos e irrepetiveis.

Testemunhos de reuniões de família que nunca mais acontecerão. 

Imagens de felicidade total a que recorro sempre que a saudade doi e a memória não permite que chegue lá sem as  visualizar.

 

Felizmente o fogo só levou coisas materiais que serão repostas a seu tempo e todas elas afastadas q.b. da minha casa.

Infelizmente , o mesmo fogo, reacendeu em mim medos que ainda estão em fase de rescaldo. 

Hei - de conseguir apagá - los .

Hoje ainda não foi o dia.

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13 comentários

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De marrocoseodestino a 09.09.2016 às 08:15

Não consigo imaginar a dor de ver a iminência de se perder tudo.
Deve ser uma das coisas mais terríveis de se sentir.
Infelizmente as penas para quem ateia os fogos são pequenas ou nulas.
Desejo que tudo se recomponha rapidamente
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De Pequeno caso sério a 09.09.2016 às 17:08

Felizmente  (para mim) o fogo ficou a uma distância "segura" da minha casa.
Ainda assim fez com que revisitasse medos guardados dentro de mim.
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De Psicogata a 09.09.2016 às 10:29

Tenho o mesmo medo irracional de perder memórias físicas das coisas boas que vivi.
As fotos digitais estão na nuvem, mas os álbuns de criança, os cadernos, os livros, as cartas, os objetos preciosos estão espalhados pela casa, e só de pensar em perder tudo arrepio-me até ao ossos.
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De Pequeno caso sério a 09.09.2016 às 17:11

É sempre esse património que nos deixa verdadeiramente pobres quando o fogo lhes consegue tocar.
Felizmente o meu está intacto.
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De Psicogata a 09.09.2016 às 17:24

Felizmente sim. Porque deve ser horrível perde-lo.
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De Maria João Machado a 09.09.2016 às 13:58

Acho que há sustos/medos que não se resolvem nunca. No máximo habituamos-nos a viver com eles. Não sei o que é temer pela vida e pelas nossas coisas durante um incêndio, mas pelas experiências que ouço e leio, relatadas, deve ser terrível e para nos ficar marcado. Espero nunca passar por isso e ainda bem que não aconteceu nada de mais grave.
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De Pequeno caso sério a 09.09.2016 às 17:11

Agradeço  (não sei bem a quem) todos os dias.
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De Maria Araújo a 09.09.2016 às 15:31

Não consigo imaginar o seu desespero e de todas as pessoas que passam por uma situação destas.
Um abraço.


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De Pequeno caso sério a 09.09.2016 às 17:13

Comigo foi mais o pânico irracional pois de início não percebi a que distância estava de mim.
Felizmente foi só o susto. E chegou!
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De Magui Ferreira a 09.09.2016 às 17:32

Já vivi bem de perto esse drama, e não sendo a minha casa, ainda hoje me atormenta aquilo que presenciei, o desespero dos donos da casa, meus familiares, a impotência perante tamanho horror, que felizmente, também não passou dum enormíssimo susto. Dizem que o tempo tudo apaga, não é verdade, no mínimo atenua, ainda hoje não consigo ver imagens de fogos na televisão, ainda hoje não percebo porque não existem castigos severos para os terroristas que praticam tal acto. Ainda bem, que tudo não passou dum cagaço, não imagino o que passaste, só quando o sentimos na pele, é que sabemos. Um abraço muito apertado, do fundo do meu coração.
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De Pequeno caso sério a 09.09.2016 às 21:15

Há coisas que por muito que imaginemos como são nunca entendemos como se podem esconder e recalcar na vida de uma pessoa.
Só quando nos toca. Aí sim. 
Abraço recebido. Obrigada. 
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De maria silva a 09.09.2016 às 21:21

O fogo é uma coisa tenebrosa.Em segundos destrói vidas.Felizmente não passou de um susto.Também infelizmente, os "animais" que os provocam continuam com penas leves ou impunes. A minha saudosa mãe dizia que preferia um ladrão a um incêndio porque o ladrão ainda deixa alguma coisa para trás; o fogo leva tudo. Bem verdade. Que esse "cagaço" nunca passe de isso mesmo. Bj blogosféricos. 
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De Pequeno caso sério a 09.09.2016 às 21:52

Muito sábia a senhora sua mãe Maria Silva. 
Beijos blogosféricos entregues e aceites.

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